Hoje tenho vontade de chorar quando o vejo, é um esboço do que já foi um dia, uma piada entristecedora do homem forte que eu admiro, é pesado ir vê-lo, me dói, me aflige e por mais desumano que posso fazer o leitor pensar, preferia que ele morresse de uma vez, seria mais humano do que ver a degradação de seu corpo e mente, as palavras ditas ao acaso, lembranças do passado de menino pescador, da marinha, do filho deixado de lado. Os berros dados à noite, o fraldão que é seu companheiro agora. Além do fato de não reconhecer ninguém e confundir pessoas, eu mesmo já fui o rapaz do caju, o amigo marinheiro e o vendedor de sorvete.
Avô, mesmo sabendo que você não vai ler isso, quis pôr em texto o que me entristece a quem ler esse relato, espero não ter parecido piegas, ou egoísta, mas sentimentos são. Delmiro, você sempre será meu exemplo, meu espelho, meu avô e principalmente meu pai, mesmo você nem lembrando mais de mim, eu te amo e sempre te guardarei no coração.





